EM BREVE: 25/06/15 -  I Colóquio Poesia & Tradução (parceria entre Casa Guilherme de Almeida e Universidade Federal do Ceará)


25/06/15: I Colóquio Poesia & Traduçao (Parceria Casa Guilherme de Almeida e Universidade Federal do Ceará)


centroaustriabrasil por centroaustriabrasil em 15/junho/2015

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CENTRO DE HUMANIDADES
POET – PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DA TRADUÇÃO

(Parceria Casa Guilherme de Almeida e Universidade Federal do Ceará)

Auditório José Albano, Área I do Centro de Humanidades
Av. da Universidade, 2683 – Benfica
Fortaleza (CE)

O Centro de Estudos de Tradução Literária da Casa Guilherme de Almeida participa do colóquio sobre poesia e tradução organizado pelo recém-instituído programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (POET) da Universidade Federal do Ceará, o primeiro dessa área entre os estados do Nordeste brasileiro. Durante dois dias, tradutores e pesquisadores de diversas partes do país e do exterior se reúnem para abordar questões associadas à especificidade da tradução de poesia.

09:00 – Mesa-redonda
Com Vládia Maria Cabral Borges (Diretora do Centro de Humanidades), Cícero Anastácio Araújo de Miranda (Chefe do Departamento de Letras Estrangeiras), Luana Ferreira de Freitas (coordenadora da POET).
Coordenação: Yuri Brunello (UFC)

09:30 – Conferência de abertura
Por Gabriela Reinaldo (UFC)
Coordenação: Ana Maria César Pompeu (UFC)

 

Gabriela Reinaldo
Viver é encargo de pouco proveito e muito desempenho – sobre tradução e linguagem em Vilém Flusser e João Guimarães Rosa.

Em “Retradução como método de trabalho”, Vilém Flusser justifica a sua própria existência a partir de suas experiências com a língua: “Nasci em Praga, portanto bilíngue”. Traduzir-se é sinônimo de escrever para ele, que se autotraduz, testando-se, em pelo menos quatro idiomas até chegar ao texto que será publicado. Se retradução e escrita se confundem, o objetivo de Flusser é a poesia. Poesia como alargamento das possibilidades do olhar. Interessado pelas potências da linguagem, no período que viveu no Brasil, Vilém Flusser entrou em contato com João Guimarães Rosa, cuja escrita revolucionaria o pensamento ao introduzir “elementos estranhos” na estrutura do discurso. Mas o tom do encontro não é apenas de enlevo. Se Flusser referia-se a Rosa como vaidoso e dizia que mesmo as piores traduções de sua obra o entusiasmavam, Guimarães Rosa confessava a Curt Mayer-Clason, seu tradutor para o alemão, que Flusser lhe atribuía intenções sem cabimento e que estava “possuído por suas próprias teses em matéria de língua e linguagem”. Esta comunicação se volta para o legado desse diálogo, tenso e conflituoso, entre Vilém Flusser e João Guimarães Rosa.

10:30 – Mesa-redonda
Com Simone Homem de Mello (Casa Guilherme de Almeida), Orlando Grossegesse (Universidade do Minho) e José Guilherme dos Santos Fernandes (UFPA).
Coordenação: Fabiano Seixas Fernandes (UFC)

Simone Homem de Mello
A relação entre poesia e tradução na obra poética de Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos

A poética da tradução proveniente das reflexões programáticas do Grupo Noigandres sobre linguagem e poesia teve rumos similares e singulares na obra teórica e tradutória de seus três fundadores, Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos. Esta comunicação pretende rastrear o movimento inverso: o da repercussão de procedimentos tradutórios na poesia dos três autores. Nesse contexto, a análise de conceitos como “intradução” (Augusto de Campos), “transluminura” (Haroldo de Campos) e “poesia semiótica” (Décio Pignatari) esclarece não apenas a forma de cada um incorporar a tradução à própria composição poética, mas também seu modo específico de trabalhar com a tradição ou com a convenção.

Orlando Grossegesse
Traduzir a Vanitas Mundi – tradição e afirmação da linguagem poética

Sob este título, abordaremos a tradução de poesia de mundividência maneirista e barroca das línguas românicas para a língua alemã e no sentido inverso. Exemplificaremos as questões nos eixos de sintagma (morfossintaxe) e paradigma (léxico), com as respectivas figuras de estilo, sem descurar a própria sonoridade, indo além de ritmo e rima, em sonetos de Camões e Gryphius. A abordagem procurará a contextualização histórica dos séculos XVI e XVII: ao nível linguístico, a poesia escrita nas línguas românicas está numa posição privilegiada, não só por continuar a tradição da literatura latina, mas também pelas próprias características métricas e rimáticas que se fazem valer numa forma tão artificial como o soneto. No caso da poesia escrita em alemão, trata-se de afirmar a “aptidão” da língua recém-estandardizada para a poesia. Com este pensamento político subjacente à criatividade poética, há um verdadeiro desafio na procura de emular, variar e, se possível, superar os modelos, adaptando-os às características diferentes de uma língua germânica, numa atividade comparável à transcriação atual. Daí resultar um aspeto didático, em termos de prática e reflexão, do Traduzir a Vanitas Mundi.

José Guilherme dos Santos Fernandes
Epopeia e transculturação em Nativo de câncer

Através do poema épico Nativo de câncer (1960-1967), busca-se caracterizar traços de tradição clássica da epopeia juntamente com elementos mais vinculados à cultura amazônica, em perspectiva transculturadora, nessa antológica obra do poeta paraense Ruy Guilherme Paranatinga Barata (1920-1990). No objeto, serão referenciados estilo e temática mediante o conceito de transculturação narrativa (RAMA, 2001), considerando-se língua, estrutura literária e cosmovisão, como elementos participantes do processo de tradução cultural.

15:00 – Conferência
Por Marcelo Tápia (Casa Guilherme de Almeida)
Coordenação: Luana Ferreira de Freitas (UFC)

 

Marcelo Tápia
Questões de equivalência em tradução de poesia antiga

A tradução de poesia envolve questões sempre reiteradas sobre a linguagem poética e sua especificidade, sobre a orientação tradutória e as escolhas possíveis diante das características do texto original, tais como a sua configuração rítmico-métrica. Valendo-se de uma breve reflexão inicial sobre discussões genericamente associadas à recriação poética, a comunicação abordará diferentes modos de adaptação de padrões métricos clássicos para línguas modernas, particularmente para o português, buscando examinar noções diversas de equivalência que regem os referidos modos e os resultados por eles determinados.

16:00 – Mesa-redonda
Com Guilherme Gontijo Flores (UFPR), Susana Souto (UFAL) e Paulo Vasconcellos (UNICAMP).

Guilherme Gontijo Flores
Traduzir mosaicos e canções de Horácio

Susana Souto
Metamorfoses da leitura

As Odes de Horácio são famosas por sua construção sintática complexa, ao modo de um mosaico lexical capaz de operar efeitos complexos por relações posicionais de dois ou mais termos; ao mesmo tempo, foram escritas de modo a recriar a tradição da poesia cantada na Grécia arcaica. O desafio do projeto, que pretendo apresentar com exemplos práticos em latim e português, e que ocupou toda minha tese de doutorado, finalizada em 2014, é a possibilidade de recriar esses dois procedimentos numa tradução poética que resulte em poesia cantável segundo uma importação de ritmos e modos estrangeiros, bem como numa construção escrita capaz de tirar proveito de construções sintáticas complexas.

Paulo Vasconcellos
Um Virgílio brasileiro no século XIX.

Na comunicação, apresentaremos a obra tradutória de Manuel Odorico Mendes (1799-1864), centrando-nos em suas traduções de Virgílio. Faremos uma síntese das principais características do projeto tradutório do maranhense, ressaltando-lhe os aspectos criativos que julgamos mais ousados e instigantes.

17:00 – Comunicações

 

Gabriela Reinaldo é doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2002), é professora adjunta do Instituto de Cultura e Arte (ICA) da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordena três projetos de pesquisa: O olhar naturalista e o seu legado para a ciência e para a ficção (Universidade de Cambridge – UK, estágio pós-doutoral de agosto de 2013 a agosto de 2014); Tradução Intersemiótica: a relação palavra e imagem e A Tradução em Vilém Flusser. Tem experiência na área de Semiótica, com ênfase em Comunicação Social e Artes, atuando principalmente nos seguintes temas: Semiótica peirceana, Semiótica da Cultura, Mito, Tradução Intersemiótica e entre culturas, Literatura, Vilém Flusser e João Guimarães Rosa.

Guilherme Gontijo Flores é professor de Língua e Literatura Latina na UFPR, tradutor e poeta. Lançou traduções de As janelas, seguidas de poemas em prosa franceses, de Rainer Maria Rilke (2009, Crisálida, em parceria com Bruno D’Abruzzo), A anatomia da melancolia, de Robert Burton (4 vols., 2011-2013, Editora UFPR, ganhadora dos Prêmios APCA e Jabuti na categoria tradução), Elegias de Sexto Propércio (2014, Autêntica) e da tradução coletiva a dez mãos do Paraíso Reconquistado, de John Milton (2014, Ed. de Cultura). No momento, prepara uma tradução das Odes de Horácio e uma edição do Paraíso Perdido de Milton traduzido por Bento Targini, além do livro Poesia homoerótica romana, que devem sair ao longo de 2015. Tem dois trabalhos de poesia publicados: o livro Brasa enganosa(2013, Patuá), finalista no prêmio Portugal Telecom, e o poema-site Tróiades, remix para o próximo milênio (www.troiades.com.br). É coeditor do Escamandro(www.escamandro.wordpress.com), uma revista-blog sobre poesia, tradução e crítica.

José Guilherme dos Santos Fernandes tem doutorado em Letras pela UFPB e pós-doutorado em Educação Superior e Povos Indígenas pela UNTREF (Universidad Nacional De Tres De Febrero, Buenos Aires). Atua nas seguintes linhas de pesquisa: estudos culturais e cultura popular, estudos da oralidade, estudos de literatura da Amazônia, estudos da narrativa, tradução e interculturalidade. Coordena o projeto de pesquisa Interculturalidade e Tradução em Narrativas da Modernidade na Amazônia: do século XIX à contemporaneidade (Procad/Casadinho – CNPq/CAPES). Integra a Red Educación Superior y Pueblos Indígenas en América Latina/CONICET (Argentina). É vice-coordenador do GT Literatura Oral e Popular da ANPOLL e Investigador Posdoctoral Visitante do Centro Interdisciplinario de Estudios Avanzados (CIEA), da UNTREF.

Marcelo Tápia é poeta, ensaísta, crítico e tradutor, graduado em Letras (Português e Grego) pela USP e doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela mesma universidade.  Tem publicado ensaios, criações originais e traduções em diversos periódicos, acadêmicos e não acadêmicos. Autor de cinco livros de poemas, traduziu, entre outras obras, os romances Os passos perdidos (2008) e O reino deste mundo (2009), de Alejo Carpentier; é um dos organizadores do livro de ensaiosHaroldo de Campos – Transcriação (2013). Dirige o museu Casa Guilherme de Almeida – Centro de Estudos de Tradução Literária, em São Paulo.

Orlando Grossegesse estudou Filologias Românicas e Comunicação Social na Ludwig-Maximilians-Universität München. Em 1989, doutorou-se com uma tese sobre a relação entre conversação e discurso literário na obra de Eça de Queiroz, publicada sob o título Konversation und Roman (Stuttgart: Franz Steiner, 1991). Em 1990, foi-lhe atribuída uma bolsa de pós-doutoramento na Universidade de Coimbra, tornando-se, no fim do mesmo ano, docente da Universidade do Minho, nas áreas de Literatura e Cultura Alemãs (a partir de 2004: Professor Associado). Ensina e investiga também nas áreas de Literatura Comparada e Portuguesa, Tradução e Comunicação Multilíngue. Para além da dissertação, atas de congressos (organizadas ou coorganizadas) e artigos em revistas, tem publicações em livro, sendo a mais relevante Saramago lesen (Berlin: edition tranvía 1998; 2ª ed. ampliada e atualizada 2009). Entre as suas traduções literárias para o alemão encontram-se obras de Enrique Vila-Matas e de Mário de Sá-Carneiro. É atualmente coordenador da linha de ação em Ciências de Literatura no CEHUM / ILCH.

Paulo Vasconcellos possui Graduação em Letras (Latim-Francês-Português) pela USP, e mestrado e doutorado em Letras Clássicas, também pela USP, e fez pós-doutorado na Scuola Normale Superiore, de Pisa. Foi professor de Latim na USP e na Universidade Mackenzie. Foi coordenador do Programa de Pós-graduação em Linguística do IEL/UNICAMP e é editor-chefe da revista PhaoS. Entre suas publicações, cabe destacar Épica latina (Ênio e Virgílio). Campinas: Editora da Unicamp, 2014; Sintaxe do período subordinado latino (São Paulo: Editora da UNIFESP, 2013); Virgílio. Bucólicas. Tradução e notas de Odorico Mendes. São Paulo/Cotia: Ateliê/ Editora da UNICAMP-FAPESP, 2008; Odorico Mendes, Manuel. Eneida Brasileira ou Tradução poética da epopéia de Públio Virgílio Maro. São Paulo: Editora da UNICAMP-FAPESP, 2008 (anotação e comentário do Grupo de Trabalho Odorico Mendes, coordenado por Paulo Vasconcellos, também responsável pela organização, anotação, comentário, estudo introdutório; Efeitos intertextuais na Eneida de Virgílio (São Paulo: Humanitas-FAPESP, 2001).

Simone Homem de Mello é germanista com mestrado na Universität zu Köln e doutoranda da PGET (Pós-Graduação em Estudos da Tradução da UFSC). Traduz autores modernos e contemporâneos alemães e austríacos, como Arno Holz, Peter Handke e Thomas Kling. Sua produção poética inclui Périplos (2005), Extravio marinho (2010) e Terminal, à escrita (2015) e os libretos de ópera Orpheus Kristall (2002), Keine Stille auβer der des Windes (2007) e UBU (2012). Coordenou, de 2012 a 2014, o Centro de Referência Haroldo de Campos na Casa das Rosas (São Paulo).  Desde 2011, trabalha como coordenadora do Centro de Estudos de Tradução Literária da Casa Guilherme de Almeida.

Susana Souto possui doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Alagoas (2008), mestrado em Letras (Letras Clássicas) pela Universidade de São Paulo (1999) e graduação em Letras Português Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Alagoas (1993). Trabalhou, de 1997 a 2005, na Universidade Católica de Brasília. Atualmente é professora da Universidade Federal de Alagoas, onde atua na graduação e na pós-graduação da Faculdade de Letras (FALE). Suas pesquisas abrangem os seguintes temas: poéticas interartes, poesia brasileira contemporânea, Glauco Mattoso, Clarice Lispector, leitura e circulação.